Associação DAR VOZ AO Silêncio

Justiça e Direitos

Objetivos de Curto, Médio e Longo Prazo

Propostas concretas de alteração legislativa e operacional ao processo de reparação.

Para que o processo de reparação deixe de ser uma concessão unilateral e passe a ser um ato de justiça transparente e democrático, a Associação DAR VOZ AO Silêncio defende as seguintes propostas concretas de alteração legislativa e operacional, a apresentar brevemente ao Parlamento Português:

  1. Entrega Obrigatória do Relatório Individual

    Garantir que todas as vítimas tenham direito a receber uma cópia integral, escrita e fundamentada do relatório de avaliação psicológica e pericial emitido pelas comissões, que serviu de base à decisão sobre o seu caso.

  2. Revisão do Artigo 15.º do Regulamento

    Alterar a redação deste artigo para eliminar ambiguidades normativas que limitam os critérios de elegibilidade temporal ou institucional, alargando o âmbito de proteção a todos os contextos onde existiu responsabilidade eclesiástica.

  3. Instituição do Direito de Recurso

    Criação de uma instância arbitral ou comissão de recurso autónoma e externa à hierarquia da Igreja Católica, permitindo às vítimas contestar decisões de indeferimento ou montantes indemnizatórios que considerem inadequados.

  4. Participação Ativa das Vítimas

    Obrigatoriedade de inclusão de representantes das associações de vítimas na orgânica de decisão e reestruturação dos mecanismos de apoio e reparação.

  5. Consolidação de uma Comissão Independente

    Substituição do atual modelo de tutela eclesiástica por uma estrutura inteiramente autónoma e independente, dotada de recursos técnicos e científicos próprios e livre de interferências confessionais.

  6. Fiscalização Parlamentar Permanente

    Criação de uma comissão de acompanhamento na Assembleia da República para monitorizar a execução política, legal e humanitária de todo o processo de reparação em território nacional.

  7. Realização de uma Auditoria Externa

    Promoção de uma auditoria financeira e procedimental independente a todas as verbas, candidaturas, deferimentos e rejeições registados desde o início do funcionamento dos fundos diocesanos e comissões associadas.

  8. Revisão Global do Regulamento de Compensações

    Reestruturação do regulamento da CEP para eliminar tetos indemnizatórios arbitrários, balizando os valores em critérios estritamente jurídicos e de direito civil idênticos aos aplicados pelos tribunais portugueses.

  9. Cumprimento Efetivo do Acompanhamento Psicológico

    Garantia de que o apoio terapêutico e psiquiátrico prometido seja vitalício, gratuito, descentralizado e executado por profissionais do Serviço Nacional de Saúde ou entidades terceiras totalmente independentes da Igreja.

  10. Informação Periódica e Proativa às Vítimas

    Implementação de um canal de comunicação obrigatório que preste esclarecimentos regulares aos requerentes sobre o estado de evolução dos seus processos, erradicando o atual vazio informativo.